Einstein realiza as primeiras cirurgias cardíacas com robô da América Latina

A lenta e dolorosa recuperação de uma pessoa que enfrenta uma cirurgia cardíaca deixou de ser uma realidade para alguns pacientes do Hospital Israelita Albert Einstein em outubro de 2009, quando o HIAE realizou a primeira cirurgia cardíaca minimamente invasiva. Na semana do último dia 15 de março, porém, o hospital apresentou mais um avanço nessa área e realizou as primeiras cirurgias cardíacas minimamente invasivas totalmente robotizadas da América Latina.

No novo procedimento, o cirurgião – por meio de um console – maneja quatro braços de um “robô”, capazes de realizar a operação com maior precisão e oferecer ainda mais segurança aos pacientes.

“Além de multiplicar os movimentos de um cirurgião, o equipamento oferece maior destreza porque não há tremor. E ainda conta com um sistema de captação de imagens digital que deixa o corpo humano mais nítido do que a olho nu”, explica o cirurgião cardíaco Robinson Poffo, que comandou as operações no HIAE.

Com a utilização do robô, um único médico controla dinamicamente até quatro instrumentos – como pinça, tesoura, ótica de vídeo e afastador. Mesmo assim, o número de profissionais da equipe continua o mesmo. “Nosso maior objetivo é realizar cirurgias cada vez mais seguras. E sendo minimamente invasivas, esse tipo de cirurgia permite uma recuperação muito mais rápida e menos dolorosa ao paciente”, afirma o médico.

 

Diferente das cirurgias de coração tradicionais, que necessitam de um corte de cerca de 25 centímetros no peito do indivíduo, as cirurgias cardíacas minimamente invasivas são realizadas por meio de incisões milimétricas e apenas um corte de 2 a 4 centímetros na lateral do tórax. Assim, a alta do hospital pode ser realizada em até 4 dias – diferente da técnica tradicional, em que o paciente precisa de 7 a 10 dias para deixar o hospital.

Luzia Cristina Debatin, de 34 anos, foi a primeira pessoa a ser operada com a utilização do robô na América Latina. Depois de 4 dias da operação, recebeu alta e pode voltar para casa, em Santa Catarina. “Fiquei muito honrada quando soube que seria a primeira e muito feliz em me recuperar tão rapidamente”, contou Luzia. “Desde o começo, os médicos me deixaram muita tranquila em relação à segurança da cirurgia”.

A partir da entrada na fase adulta, Luzia queixava-se de cansaço, fraqueza e dificuldade para respirar – sintomas de uma doença congênita chamada Comunicação Interatrial, caracterizada por uma abertura entre os dois átrios do coração, que permite a passagem de sangue de um para o outro. Essa movimentação sanguínea, reflexo de uma má formação do septo que separa os dois átrios, aumenta a pressão e o fluxo nos pulmões, provocando fadiga, insuficiência cardíaca e falta de ar.

Para Luzia, a recuperação foi uma surpresa. “Até mesmo a região onde foi realizado o corte, que estava roxa, já voltou ao normal. E não sinto mais a falta de ar”, afirmou, aliviada, antes de receber alta. Continuar lendo…