Trabalho dos cardiologistas do Einstein é premiado no Congresso da Sociedade Brasileira de Arritmia Cardíaca

Os resultados da cirurgia cardíaca minimamente invasiva para retirada de sistemas de estimulação cardíaca artificial: uma nova abordagem, apresentados pelos médicos Robinson Poffo, Alex Luiz Celullare, Renato Bastos Pope, Alisson Parrilha Toschi, Alexandre Teruya, durante o Congresso da Sociedade Brasileira de Arritmia Cardíaca 2010 (SOBRAC) foi premiado como o melhor pôster apresentado no evento.

A utilização de técnicas minimamente invasivas em cirurgia cardíaca vem sendo amplamente discutida no meio médico, visando melhorias não só no aspecto estético, mas também funcional. O objetivo deste trabalho é mostrar a exeqüibilidade de uma abordagem minimamente invasiva para a retirada de sistemas de estimulação cardíaca artificial infectados, com excelentes resultados clínicos e estéticos.

Materiais e Métodos

Entre fevereiro de 2008 e agosto de 2010, quatro pacientes foram submetidos à explante de sistema utilizando a técnica minimamente invasiva videoassistida, para o tratamento de infecção de sistema de estimulação cardíaca artificial.

Um destes pacientes era portador de endocardite valvar tricúspide associada. A idade média e desvio padrão foram de 59 ± 6,78 anos, todos eram do sexo masculino. O tempo médio de implante pré-infecção foi de 4,75 meses e o germe mais freqüente foi o Staphylococcus aureus – três casos, e um caso por Streptococcus viridans.

A técnica

A técnica transareolomamilar, inicialmente descrita por Pitanguy em 1966 para o tratamento da ginecomastia no homem, apresenta, por sua posição anatômica, um ótimo acesso às estruturas intra-cardíacas e foi adaptada para cirurgia cardíaca por Poffo e colaboradores em 2009.

Desde a metade da década de 1990, vários trabalhos têm demonstrado a utilização da minitoracotomia associada à videotoracoscopia como método seguro e eficaz para a abordagem da várias doenças cardíacas.

Os objetivos são a melhor recuperação do paciente, com menos dor e complicações pós-operatórias, culminando com diminuição da permanência hospitalar e conseqüente redução de custos. Outro ponto é o aspecto estético e a satisfação gerada no paciente.

A adaptação do cirurgião e do ambiente cirúrgico é fundamental, pois há variação na forma com que estamos habituados a trabalhar com o coração. O acesso restrito pelo comprimento limitado da incisão, é compensado pelo uso da videotoracoscopia. O manuseio de instrumentos longos e a visibilização indireta do campo operatório são algumas das dificuldades acrescentadas ao método, que com o aumento da experiência e domínio da técnica, não são impedimentos para sua aplicação.

Conclusões

A abordagem minimamente invasiva videoassistida é factível e demonstrou bons resultados, não sendo necessária a esternotomia para a retirada dos sistemas de estimulação cardíaca artificial. A utilização da videotoracoscopia possibilitou um excelente acesso, menos invasivo (4 cm) e com resultados estéticos mais satisfatórios para o paciente.

Fonte: Einstein.br